9 Grandes Maravilhas desenhadas pelo Arquitecto Norte Júnior

Nascido a 24 de Dezembro de 1878, filho de um construtor civil de Lisboa, Manuel Joaquim Norte Júnior era um jovem arquitecto quando se iniciou o Plano das Avenidas Novas, tendo terminado o curso de Arquitectura Civil, em 1900, na Escola de Belas Artes em Lisboa. O seu talento conseguiu influenciar de tal forma outros autores que, actualmente, é vasto o número de imóveis a si atribuídos.

  1. Avenida da Liberdade, 216-218

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O projecto é do arq. Norte Júnior e foi mandado construir por Domingos Joaquim da Silva, em 1915, recebendo o Prémio Valmor desse mesmo ano. Destaca-se pela qualidade da sua fachada, assim como pelas soluções construtivas e decorativas inovadoras adoptadas no interior, com pinturas de Gabriel Constante, estuques de Afonso Neto, Estrela e Rodrigues, e azulejos da Fábrica de Sacavém. Edificado em estilo Beaux-Arts e de inspiração Arte-Nova, apresenta ainda dois corpos laterais em bow-windows.

2. Avenida Defensores de Chaves, n.º 26norte4


Este edifício, projetado pelo arquiteto Norte Júnior, foi mandado construir em 1917. Tem um estilo eclético, apresentando apontamentos modernistas como a utilização do ferro forjado e ornamentos vegetalistas em cantaria.
Inicialmente, este edifício foi concebido para habitação particular, porém em 1989 passou a ser ocupado pelo Clube Militar Naval.

3. Avenida de Berna, 1-1A

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Em 1908, a Câmara de Lisboa recebia um pedido de autorização para se construir uma casa de habitação no terreno pertencente a Amélia Augusta Pereira Leite. A autorização foi dada, e este magnífico edifício é concluído em finais de 1909. Localizada na Av. de Berna, a moradia foi referida na imprensa da altura como “a mais importante” obra que até ali se havia construído em Lisboa.


4. Praça do Duque de Saldanha, 12norte6


Merecedora de uma Menção Honrosa do Prémio Valmor de 1912, esta moradia unifamiliar foi mandada edificar por iniciativa de Nuno Pereira de Oliveira, com projecto do arq. Norte Júnior. Tata-se de um exemplo típico de arquitectura civil eclética e conjuga diferentes linguagens arquitectónicas na sua decoração, recorrendo a espessas e elaboradas cantarias.

5. Avenida 5 de Outubro, 6

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Esta é a Casa-Museu Dr. Anastácio Gonçalves, construída em 1905, valendo a Norte Júnior o seu primeiro Prémio Valmor. Foi mandada construir por José Malhoa para sua residência e atelier, mas em 1932 foi vendida a Anastácio Gonçalves, o qual passa aqui a viver e organizar a sua colecção. Após a sua morte, a casa é legada ao Estado Português para aí se criar um museu.
Haverá portão mais bonito em Lisboa?

6. Avenida Fontes Pereira de Melo,  28-28A

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Prémio Valmor em 1914, este palacete na Av. Fontes Pereira de Melo, junta elementos neo-românticos, neo-árabes, barrocos e arte nova. Foi projectado por Norte Júnior e hoje pertence ao Metropolitano de Lisboa.

7. Avenida da Liberdade, 176-180

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Do edifício original, a Pensão Tivoli, resta hoje apenas a sua fachada. Venceu o Prémio Valmor em 1927, mas em 1930 a Pensão foi ampliada e deu lugar ao Hotel Lis, o qual foi demolido em 1980 à excepção da sua fachada. Esta esteve amparada por uma cintura de ferro, tendo sido depois integrada no Tivoli Fórum. É um edifício marcadamente urbano, com a frente muito reduzida e onde é ocupada toda a profundidade do terreno.

8. Rua Almirante Barroso, 25-25A

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Com projecto do arq. Manuel Joaquim Norte Júnior, este imóvel concluído em 1928, apresenta uma arquitectura civil educativa eclética, tendo sido construído para acolher a Escola de Cerâmica António Augusto Gonçalves. Em 1934 fundiu-se com a antiga Escola Industrial de Arte Aplicada António Arroio, até que em 1948 obteve uma nova designação: Escola de Artes Decorativas António Arroio. Transferida para novas instalações em 1970, o edifício devoluto foi posteriormente ocupado pelo Instituto Superior de Contabilidade e Administração de Lisboa e, mais tarde, anexado à actual Escola Secundária de Camões.

9. Alameda da Linha das Torres

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É muito perto da Estação de Metro do Campo Grande que se situa a Alameda da Linha das Torres e, onde encontramos aquilo que sobra deste palacete, que por milagre tem sobrevivido à sua demolição.

Conhecido por Vila Sousa (uma vez que foi mandado edificar por iniciativa de José Carreira de Sousa), este palacete foi projectado por Norte Júnior e venceu o Prémio Valmor, em 1912. Com tanta elegância e decoração numa só fachada, com tanto trabalho escultórico das cantarias, merecia um melhor destino do que este total abandono em que se encontra.

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A bela Vila Gomes

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Situada na encosta da Penha-de-França, a Vila Gomes apresenta uma estrutura de edifício em banda, com dois pisos distintos e com uma galeria de acesso e escadas em ferro. Trata-se de uma vila operária bastante interessante, pelas suas características arquitectónicas, cores e pela sua própria presença numa das encostas da cidade.
O seu primeiro projecto data de 1901, mas começou a ser construída apenas em 1908. Um ano mais tarde é solicitada autorização para construir mais um piso, a qual foi negada.
Na década de 90, encontrando-se em avançado estado de degradação, a Vila Gomes foi submetida a um projecto de recuperação, com intervenções ao nível do seu exterior, bem como do interior. O projecto de reabilitação (da autoria do arquitecto Luiz de Magalhães) procurou assim garantir condições de conforto e a preservação da imagem característica do conjunto, o que lhe valeu a atribuição do 1º Prémio RECRIA 2001.